13.12.11

Quanto custa o seu trabalho?

Nilsa! Cansada Sim, Satisfeita Nunca!

“Vai ser coxo na vida é maldição pra homem, mulher é desdobrável”
Citamos Adélia Prado para falar da desdobrável Nilsa. No caminho de nossa saída para a primeira Ocúpação das Dadivosas rumo ao Largo da Carioca nos deparamos com uma bela mulher - a Nilsa. Uma mulher sensível que logo nos olhou bem dentro dos olhos. Conversamos muito com ela. Porém Nilsa estava se recuperando de um trabalho espiritual e pediu para que não ser filmada e nem fotografada. Mas essa história terminou de outro jeito. 

Sexta-feira, 9 de dezembro de 2011, foi dado o primeiro passo à RUA.

Sexta-feira, 9 de dezembro de 2011, foi dado o primeiro passo à RUA.
Enormes bolsas, muitos trapos coloridos e divertidos dentro delas, saias rodas e solas de sapatos já gastas, uma imagem não de hoje, mas de longe! Se lembrarmos de Molière e sua trupe, dos Comediantes Medievais de praças passando o chapéu, não há diferença nenhuma entre 2011 e 1811, de atores que exercem o seu real ofício.
Vestidas do que somos, atrizes, saímos com nossas roupas para trabalhar. Na rua pessoas passando por duas mulheres, extravagantes, maquiadas, faziam de conta que não existíamos. É realmente normal nos tempos de hoje ignorar o que é estranho: o homem deitado no meio da rua, a criança com fome na esquina, os pedaços esquartejados largados por toda parte nessa cidade. É normal!!!! Infelizmente não se estranha o que é estranho!
Isso está na praça com os nossos trapos coloridos, pessoas passando e lendo as faixas que colocamos no chão: ATRIZES DESEMPREGADAS!!!!!!
Olhos arregalados para duas “loucas” fazendo números e passando chapéu. Questionamos: “Quem aqui está desempregado?”, “ Quando vc está desempregado, o que vc faz?”, “ Vida de ator é fácil”? “Quanto vc acha que vale este trabalho”?
Questionamos, interferimos na tarde das pessoas que passavam com arte, com música, com ludicidade e diversão, exigimos perguntas, exigimos que se questionassem, até que tivemos uma linda resposta: “Ator tem um papel muito importante na sociedade, ele tem o dom de comunicar”.
É disso que se trata, é disso que nos vestimos para ir às ruas.
A sós, nós, nossos guias, nossas malas e coragem, vi o tamanho passo que estávamos dando em direção a nós mesmas e ao nosso trabalho, com o mesmo ideal, em busca de uma coisa tão nova e tão velha como já fizemos em outros tempos. Aquela imensidão do céu no centro do Rio, transeuntes passando e nós ali, pequenas e grandes, sem retreta, sem tá na rua, sem bengala nenhuma, na beira do abismo.
E fizemos o que tínhamos que fazer, demos o primeiro passo para algum lugar!







12.12.11

Em época de frutas, eu prefiro ser eu mesma!


Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre."

(Clarice Lispector)

7.12.11

Ocupe o que lhe é de direito!



VOCÊS, ARTISTAS QUE FAZEM TEATRO
EM GRANDES CASAS, SOB A LUZ DE SOIS POSTIÇOS
ANTE A PLATÉIA EM SILÊNCIO, 


OBSERVEM DE VEZ EM QUANDO ESSE TEATRO QUE TEM NA RUA O SEU PALCO;
FEITO DA VIDA EM COMUM DOS HOMENS – 


ESSE TEATRO QUE TEM NA RUA SEU PALCO
OXALÁ POSSAM VOCÊS,
ARTISTAS MAIORES
NÃO FICAR INDIFERENTES AO QUE ELES ESTÃO REPRESENTANDO
POR MAIS QUE SE APERFEIÇOEM NA ARTE, 
NÃO SE AFASTEM DESSE TEATRO DE TODOS OS DIAS
QUE TEM A RUA SEU PALCO!

Texto de Bertold Brecht -“Sobre o Teatro de todos os Dias”

5.12.11

UMA MULHER É SEMPRE UMA MULHER



é extremamente necessário falar de mulher
fala-se todos os dias
mas mais que falar é necessário desnudar as suas garras
as suas entranhas
o grito guardado da mãe que apanha todos os dias para dar comida aos filhos
é necessário levantar a bandeira suja de sangue uterino
dos filhos que se esvaem pelas pernas sem um berço esplendido para nascerem
é preciso citar Simone, Adélia, Pagu
fala-se todos os dias de silicones, gorduras extras, formas não plausíveis para a revista
mas deixa-se de se falar desse sangue que levanta todos os dias em meio a tempestades
para salvar o seu território
é preciso movimentar-se a favor dos seus quadris
que sustentam a vida do mundo
que sangram mensalmente
sem eles não seríamos uma espécie


Hoje, nós mulheres,
de ventres latentes
estamos dispostas a sujar nossas bandeiras com o próprio sangue
dos meios das pernas
e ir a rua gritar a todas as outras de mesmas vísceras
sem que isso seja um movimento de igualdade ao outro genero
e sim um grito de valor a todas as cansadas, mas nunca satisfeitas!

"Mundos são conquistados, galáxias destruídas — mas uma mulher é sempre uma mulher."

2.12.11

1.12.11

Ocúpa Dadivosas

O que duas atrizes devem fazer quando se encontram nesta situação medíocre de desemprego? Entrar em editais? Mandar material para produtor de elenco? Escrever uma peça? Montar Nelson Rodrigues? Dar o cú para um diretor famoso? Ficar plantada na porta do projac? Ou ir pra rua e refletir sobre seu ofício?
Como resolver as contas que não param de chegar? Desistir de ser atriz e virar uma bancária? Ou uma vendedora de loja? Fazer uma faculdade e um concurso público? Ou até mesmo vender uma cerveja na Lapa? Encontrar um velho rico com 98 anos e casar com ele por amor? Virar freira?  Virar puta? Ou ocupar a rua e refletir sobre seu ofício?
Diante de um mundo ainda com preconceitos o que fazer quando se é uma atriz com liberdade que sabe o quer e dona do seu nariz? Ocupar o lugar na sociedade. Revelar suas opiniões.  Ocupar o seu lugar no mundo.



30.11.11

ELAS...

AS DADIVOSAS - CANSADAS SIM, SATISFEITAS NUNCA!

Este blog entra no ar para que você fique por dentro da criação e construção do espetáculo idealizado pelas atrizes Clara Soria e Gabriela Haviaras - DADIVOSAS - Cansadas Sim, Satisfeitas Nunca!

O espetáculo terá a dramaturgia inspirada em depoimentos da vida real, que opera através de procedimentos contemporâneos de linguagem, com intervenções audiovisuais e improvisos. O tema abordado serão as questões sociais, sendo revelado através de um olhar feminino, encenado de maneira elegantemente cômica, misturando dramaturgia e improviso. Aqui você pode acompanhar nossos textos, depoimentos, videos, fotos, tudo que será feito para a realização do espetáculo.
Aguardem essas Dadivosas, por que elas se cansam, mas nunca se satisfazem!