As Dadivosas
Cansadas Sim, Satisfeitas Nunca!!!
16.12.11
13.12.11
Nilsa! Cansada Sim, Satisfeita Nunca!
“Vai ser coxo na vida é maldição pra homem, mulher é desdobrável”!
Citamos Adélia Prado para falar da desdobrável Nilsa. No caminho de nossa saída para a primeira Ocúpação das Dadivosas rumo ao Largo da Carioca nos deparamos com uma bela mulher - a Nilsa. Uma mulher sensível que logo nos olhou bem dentro dos olhos. Conversamos muito com ela. Porém Nilsa estava se recuperando de um trabalho espiritual e pediu para que não ser filmada e nem fotografada. Mas essa história terminou de outro jeito.
Sexta-feira, 9 de dezembro de 2011, foi dado o primeiro passo à RUA.
Sexta-feira, 9 de dezembro de 2011, foi dado o primeiro passo à RUA.
Enormes bolsas, muitos trapos coloridos e divertidos dentro delas, saias rodas e solas de sapatos já gastas, uma imagem não de hoje, mas de longe! Se lembrarmos de Molière e sua trupe, dos Comediantes Medievais de praças passando o chapéu, não há diferença nenhuma entre 2011 e 1811, de atores que exercem o seu real ofício.
Vestidas do que somos, atrizes, saímos com nossas roupas para trabalhar. Na rua pessoas passando por duas mulheres, extravagantes, maquiadas, faziam de conta que não existíamos. É realmente normal nos tempos de hoje ignorar o que é estranho: o homem deitado no meio da rua, a criança com fome na esquina, os pedaços esquartejados largados por toda parte nessa cidade. É normal!!!! Infelizmente não se estranha o que é estranho!
Isso está na praça com os nossos trapos coloridos, pessoas passando e lendo as faixas que colocamos no chão: ATRIZES DESEMPREGADAS!!!!!!
Olhos arregalados para duas “loucas” fazendo números e passando chapéu. Questionamos: “Quem aqui está desempregado?”, “ Quando vc está desempregado, o que vc faz?”, “ Vida de ator é fácil”? “Quanto vc acha que vale este trabalho”?
Questionamos, interferimos na tarde das pessoas que passavam com arte, com música, com ludicidade e diversão, exigimos perguntas, exigimos que se questionassem, até que tivemos uma linda resposta: “Ator tem um papel muito importante na sociedade, ele tem o dom de comunicar”.
É disso que se trata, é disso que nos vestimos para ir às ruas.
A sós, nós, nossos guias, nossas malas e coragem, vi o tamanho passo que estávamos dando em direção a nós mesmas e ao nosso trabalho, com o mesmo ideal, em busca de uma coisa tão nova e tão velha como já fizemos em outros tempos. Aquela imensidão do céu no centro do Rio, transeuntes passando e nós ali, pequenas e grandes, sem retreta, sem tá na rua, sem bengala nenhuma, na beira do abismo.
E fizemos o que tínhamos que fazer, demos o primeiro passo para algum lugar!
Enormes bolsas, muitos trapos coloridos e divertidos dentro delas, saias rodas e solas de sapatos já gastas, uma imagem não de hoje, mas de longe! Se lembrarmos de Molière e sua trupe, dos Comediantes Medievais de praças passando o chapéu, não há diferença nenhuma entre 2011 e 1811, de atores que exercem o seu real ofício.
Vestidas do que somos, atrizes, saímos com nossas roupas para trabalhar. Na rua pessoas passando por duas mulheres, extravagantes, maquiadas, faziam de conta que não existíamos. É realmente normal nos tempos de hoje ignorar o que é estranho: o homem deitado no meio da rua, a criança com fome na esquina, os pedaços esquartejados largados por toda parte nessa cidade. É normal!!!! Infelizmente não se estranha o que é estranho!
Isso está na praça com os nossos trapos coloridos, pessoas passando e lendo as faixas que colocamos no chão: ATRIZES DESEMPREGADAS!!!!!!
Olhos arregalados para duas “loucas” fazendo números e passando chapéu. Questionamos: “Quem aqui está desempregado?”, “ Quando vc está desempregado, o que vc faz?”, “ Vida de ator é fácil”? “Quanto vc acha que vale este trabalho”?
Questionamos, interferimos na tarde das pessoas que passavam com arte, com música, com ludicidade e diversão, exigimos perguntas, exigimos que se questionassem, até que tivemos uma linda resposta: “Ator tem um papel muito importante na sociedade, ele tem o dom de comunicar”.
É disso que se trata, é disso que nos vestimos para ir às ruas.
A sós, nós, nossos guias, nossas malas e coragem, vi o tamanho passo que estávamos dando em direção a nós mesmas e ao nosso trabalho, com o mesmo ideal, em busca de uma coisa tão nova e tão velha como já fizemos em outros tempos. Aquela imensidão do céu no centro do Rio, transeuntes passando e nós ali, pequenas e grandes, sem retreta, sem tá na rua, sem bengala nenhuma, na beira do abismo.
E fizemos o que tínhamos que fazer, demos o primeiro passo para algum lugar!
12.12.11
Em época de frutas, eu prefiro ser eu mesma!
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre."
(Clarice Lispector)
11.12.11
7.12.11
Ocupe o que lhe é de direito!
VOCÊS, ARTISTAS QUE FAZEM TEATRO
EM GRANDES CASAS, SOB A LUZ DE SOIS POSTIÇOS
ANTE A PLATÉIA EM SILÊNCIO,
OBSERVEM DE VEZ EM QUANDO ESSE TEATRO QUE TEM NA RUA O SEU PALCO;
FEITO DA VIDA EM COMUM DOS HOMENS –
ESSE TEATRO QUE TEM NA RUA SEU PALCO
OXALÁ POSSAM VOCÊS,
ARTISTAS MAIORES
NÃO FICAR INDIFERENTES AO QUE ELES ESTÃO REPRESENTANDO
POR MAIS QUE SE APERFEIÇOEM NA ARTE,
NÃO SE AFASTEM DESSE TEATRO DE TODOS OS DIAS
QUE TEM A RUA SEU PALCO!
Texto de Bertold Brecht -“Sobre o Teatro de todos os Dias”
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